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quarta-feira, 12 de setembro de 2018

1993 - In Utero

A fama do Nirvana alcançava altos níveis quando a necessidade de um novo disco de músicas inéditas se fazia presente. Na verdade, esta necessidade já era realidade há algum tempo, e por isso mesmo foi lançada a coletânea "Incesticide", em 1992, a fim de acalmar os fãs mais impacientes. Funcionou, mas não por muito tempo. Músicas inéditas do Nirvana pós-Nevermind eram esperadas, e mesmo que sobras de estúdios do início da carreira alegrasse colecionadores, a curiosidade de ver por quais caminhos a banda iria se enveredar era muito maior. Entretanto, por volta de 1993, o estado do vocalista - e agora ídolo - Kurt Cobain já não era dos melhores, agravado principalmente pela ultra-exposição causada pelo disco de "Smells Like teen Spirit".

Contradições e debates à parte, o sucesso incomodou não apenas a banda, mas principalmente Cobain. Avesso as conseqüências de ter vendido centenas de milhares de discos por todo o mundo, a idéia agora era fazer um disco que não desse continuidade a Nevermind, um disco sujo, que voltasse às origens. Não à toa Steve Albini foi chamado para produzir o então intitulado "I hate myself and I wanna die". Responsável pelo discos como "Surf Rosa", primeiro do Pixies, Albini produzira também Breeders, Tad e PJ Harvey. Conhecido por seu desapego a indústria fonográfica, ele seria o produtor que não faria a banda gravar um novo Nevermind e, principalmente, um novo "Smells like teen Spirit". Ou seja, exatamente o que a banda - principalmente Kurt - queria.

Apesar dos ataques de depressão, crises de choro e crises criativas de Cobain, a gravação de In Utero foi feita em pouco mais de dez dias. Seco, direto e sincero, In Utero é quase como um desabafo, e não precisa ser nenhum gênio para prever que a Geffen - gravadora da banda - não iria gostar do resultado de um trabalho como este. Após intensas discussões, o primeiro passo foi convencer a banda a mudar o título do álbum. "I hate myself and I wanna die" era um título muito forte, que causaria um certo mal estar no mercado. Convencido não só pelos executivos, mas também pelos companheiros de banda, Cobain cedeu e intitulou o disco de "In Utero", deixando o humor ironico do antigo título de lado. O segundo, e mais complicado passo, foi encontrar em meio aquelas canções um ou duas que poderiam ser os singles que levariam o álbum. Dentre todas, "Heart-Sharped Box" e "All Apologies" foram as escolhidas, e receberam um toque de Scott Litt, produtor do R.E.M, para torná-las mais acessíveis - entende-se aqui que as músicas levaram o chamado "banho de mesa", processo pela qual ela é "limpa" das sujeiras propositalmente deixadas pela banda durante sua gravação.

Em setembro de 1993 "In Utero" chegou às lojas, não vendendo tanto como Nevermind, mas alcançando ao topo das paradas muito mais rápido, afinal, o lançamento deste disco era mais do que esperado. Os pouco mais de quarenta minutos de crueza não agradaram muito aos que tinham o disco anterior como base de comparação. Além disso, muitas lojas proibiram a venda do disco devido ao título de uma das músicas ser "Rape me" ("Estupre-me"), só liberando as prateleiras quando o título foi trocado por "Waif me". Cheio de contravenções, ironias e sinceridades, "In Utero" é recheado, principalmente, de boas canções. Fugindo da fórmula que consagrou Nevermind, a auto-sabotagem de Cobain foi algo que a banda teve que lutar de tempos em tempos durante as gravações. As canções poderiam ser cruas ou diretas, mas não precisavam ser ruins, ou melhor, propositalmente ruins. Há alguns erros intencionais, como em "Frances Farmer will have her revange on Seatlle", onde uma nota escorregada serve para mostrar que somos tão humanos como Frances Farmer (atriz que foi internada num hospício), logo, suscetíveis a erros como ela, mas nada que possa comprometer o disco. Muito pelo contrário, diga-se de passagem.

Logo na abertura, a dissonância da primeira nota diz 'o disco é isso, esqueça o Nirvana verso-refrão-verso de Nevermind'. "Serve the Servents" é uma das canções mais autobiográficas do disco, pois versos como "I tried har to have a father but instead I had a dad" deixam transparecer a relação conflituosa de Kurt com Don Cobain, seu pai. Ainda no âmbito familiar, o refrão desta mesma música diz que "that legendary divorce is such a bore", retratando a influência do divórcio dos pais na vida do músico. Seguindo com o peso e as microfonias, há ainda "Frances Farmer will..." - que, como dito, é uma homenagem a Frances Farmer, atriz de Seatlle que alcançou certa fama em hollywood na década de 30, mas após isso passou por diversos hospitais psiquiátricos, se tornando uma espécie da obsessão de Kurt - "Very Ape", "Milk it" e "Radio Friendly Unit Shifter" - todas completamente dissonantes e estranhas numa primeira audição, teriam espaço garantindo no primeiro trabalho da banda -, além de "Tourette's" - música escrita e composta com base numa doença conhecida como "Síndrome de Tourrete", na qual seus portadores incontrolavelmente distribuem palavrões e resmungos.

Não menos pesadas, mas possuidoras de harmonias mais comuns, estão "Scentless Apprendice" - baseada no romance de Patrick Süskind chamado "O Perfume". A música se originou de uma linha de bateria composta por Dave Grohl, que, por sinal, é a mesma da introdução da música -, os singles de trabalho "Heart-Sharped Box" e "All Apologies", a balada "Dumb" - uma das letras mais comoventes já escrita por Kurt ao longo de sua carreira -, e "Pennyroyal Tea", talvez uma das músicas mais pesadas do disco, já que "pennyroyal" é um chá abortivo, e a letra - assim como o restante do álbum, inclusive seu título - pode ser encarada como uma necessidade de Kurt a voltar a ser bebê e evitar todo o sofrimento pelo qual vinha passando. O chá em questão o traria morto ao mundo. Além destas, há a controversa "Rape me", na qual a introdução propositalmente remete a "Smells like...", a fim de chamar a atenção do ouvinte à letra, que, conforme ressaltado pela banda no vídeo "Live, tonight, sold out", é anti-estupro.

Uma curiosidade do disco é a faixa fantasma (crediatada na edição nacional) "Gallons Of Rubbing Alcohol Flow Through The Strip", gravada nos estúdios da BMG Ariola, no Rio de Janeiro, quando da passagem da banda aqui no Brasil para o Hollywood Rock, em 1993. Outra curiosidade é que foi neste disco a primeira vez que Kurt dividiu a composição das músicas. Na verdade, foi apenas uma música, "Scentless Apprendice", creditada a Krist Novoselic e Dave Grohl, além de Kurt Cobain. Este fato demonstrava que a crise criativa de Cobain estava começando a se acentuar, e não à toa ele já começava a remexer em velhos rasunhos atrás de idéias. Ou seja, a famosa passagem de sua carta de suicício ("I haven't felt the excitement of listening to as well as creating music along with reading and writing for too many years now.") começava aqui.

O ponto é que, além de todas as controvérsias que rondam não apenas este disco, mas aquase a discografia inteira, "In Utero" é um passo, o penúltimo da carreira de uma das bandas que marcaram a música na década de noventa. E talvez a primeira versão da carta de despedida de Kurt Cobain. Resenha por: Whiplash.

Outras resenhas aqui:







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1993 - In Utero


domingo, 2 de setembro de 2018

1992 - Incesticide

Incesticide foi uma compilação lançada em 1992 para acalmar os ânimos dos fãs que ansiavam por novidades do Nirvana, após o estouro do Nevermind. Já que o álbum com inéditas (In Utero) iria demorar mais para ser finalizado, a jogada foi garimpar raridades e lados b de singles gravados entre 1988 e 1991. O resultado é um álbum um tanto diferente. Tem músicas que trazem a sonoridade característica que consagrou a banda no álbum anterior, porém há músicas com uma sonoridade bem diferente, o que também serve para mostrar ao público que o Nirvana é uma banda de múltiplas influências e aberta à diversidade. A capa é uma pintura de Kurt, que foi creditada como Kurdt Kobain. (Veja mais aqui).
1992 - Incesticide


sexta-feira, 24 de agosto de 2018

1991 - Nevermind


Talvez o trabalho tenha começado em 1990, quando o Nirvana estava sem baterista e Buzz Osborne apresentou Dave Grohl ao guitarrista e vocalista Kurt Cobain e ao baixista Krist Novoselic. Naquele momento, a banda, pela quarta vez, estava sem baterista. O trio viajou à Seattle e o candidato passou por uma audição e ficou em definitivo.

Com tudo certo, eles começaram a trabalhar nas demos do que viria a ser Nevermind. Bruce Pavitt, dono da gravadora Sub Pop, sugeriu Butch Vig como produtor do novo disco. Nesse processo, por sugestão de Kim Gordon, do Sonic Youth, o grupo mudou de gravadora e assinou com a DCG para distribuir o futuro álbum. E algumas pessoas da DCG sugeriram a troca de produtor, mas Kurt bateu o pé e Vig seguiu no posto.

Depois de alguns dias de trabalho no Smart Studios, em Madison, Wisconsin, o quarteto, graças a um aporte de US$ 65 mil, se mudou para o lendário Sound City Studios, na Califórnia, onde, de fato, gravou o disco do início ao fim. Mesmo com a maioria das canções fazendo parte do repertório, o número de tentativas de gravação era alto. E quando não ficava bom depois da terceira tentativa, eles simplesmente pulavam para outra faixa.

Cobain dedicou-se muito aos overdubs e aos vocais, principalmente os de apoio. Ele gravava e regravava várias vezes durante um dia, chegando a trabalhar dez horas no estúdio. Vig queria fazer um trabalho parecido com o de John Lennon nos vocais de apoio, principalmente em “In Bloom”. Com tudo pronto, eles foram mixar o trabalho, mas veio o problema.

Eles ficaram extremamente insatisfeitos com o resultado feito na mixagem por estar muito polido. Como solução, eles foram até à gravadora e pediram uma lista com nomes que poderia ajudar naquele momento. Scott Litt, produtor do R.E.M, e Ed Stasium foram alguns dos nomes citados, mas o escolhido foi Andy Wallace, conhecido pelo seu trabalho com o Mötley Crüe. Depois do lançamento, Kurt disse que a mixagem ficou péssima e que não parecia um disco punk. Mal sabia ele que esse trabalho seria fundamental para o sucesso de Nevermind.

Um dos motivos do sucesso do álbum é a icônica capa, famosa por ter a montagem de um menino olhando um dólar em um anzol. Como os valores cobrados nas primeiras tentativas chegaram a US$ 7.500, o fotógrafo conseguiu o filho de um amigo para posar. E a ideia de montagem de Kurt funcionou. Como o pênis do menino aparecia, a gravadora negociou com o Nirvana para que um adesivo fosse colocado para não ofender as pessoas. O cantor só aceitou se o adesivo contasse com os dizeres “se você se ofende com isso, então você é quase um pedófilo”.

Nevermind foi lançado em 24 de setembro de 1991 e, puxado pelo sucesso do single "Smells Like Teen Spirit", acabou sendo um estouro. A gravadora esperava vender algumas dezenas de cópias, mas venderam 250 mil cópias por semana, atingindo o pico de 300 mil na primeira semana de janeiro de 1992. E cada vez mais a popularidade do Nirvana aumentava. A crítica, em princípio ignorou o disco, mas o estouro foi tão grande, que era impossível não falar dele. Então, quase todas as publicações deram resenhas positivas, e isso puxou ainda mais a popularidade do álbum, e da banda, ainda mais para cima.

Esse acabou sendo um marco da juventude dos anos 1990, talvez a última do gênero no mundo. O Nirvana conseguiu unir as tribos com sua música feroz, os gritos de Kurt, o baixo pesado de Novoselic e a bateria forte de Grohl. O mundo não seria mais o mesmo depois disso. Resenha por: Music On The Run. Veja também: clique aqui!

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Nirvana


Nirvana foi uma banda de grunge fundada no ano de 1986 em Aberdeen (Washington), nos Estados Unidos da América. A sua música foi inspirada no punk rock, no rock alternativo, no hard rock e foi chamada grunge pela imprensa e meios de comunicação da época. O grupo se desfez em 1994 com a morte de seu líder e vocalista, Kurt Cobain.O Nirvana foi considerado a maior banda de rock dos anos 90, além de ser a maior banda grunge da história e uma das maiores da história do rock. Sua canção mais famosa, “Smells Like Teen Spirit” está entre as 20 melhores músicas da história, além de ser considerada a segunda melhor música dos últimos 20 anos. O álbum “Nevermind” (1991), vendeu até 2008 cerca de 25 milhões de cópias. O Nirvana vendeu aproximadamente 60 milhões de álbuns no mundo todo até hoje.


1989 - Bleach


O primeiro disco, Bleach, foi lançado em 1989, pela Sub Pop, gravadora independente de Seattle, terra dos caras. Tanto a gravadora, como a cidade ficaram conhecidos, na época, como o berço do chamado estilo “grunge”.

A álbum traz um rock n’roll direto, sem firulas, faixas curtas no melhor estilo Ramones (one-two-three-four!), power chords, guitarras sujas e pesadas, vocal rasgado, letras minimalistas e sombrias sobre uma juventude sem esperança. Bem ao estilo da Sub Pop e do produtor Jack Endino, que depois desse estouro ficou mundialmente famoso. Foi o álbum mais vendido da gravadora e a consagração do grunge.

O primeiro fato que chama atenção: olhe para a foto da capa. Peraí… 1, 2, 3, 4? Como assim, 4 pessoas? Pois é. Existe ali um guitarrista a mais, Jason Everman, que só aparece na foto e nos créditos como guitarrista, mas não tocou em nenhuma faixa. E o que ele fez? Ora, patrocinou a gravação do álbum, é claro!

A formação ainda não tinha o Dave Grohl na bateria. Kurt Cobain (vocal e guitarra) e Krist Novoselic(baixo) já tocavam juntos a algum tempo e vinham procurando e testando vários bateristas, quando um amigo os apresentou a Chad Channing, que toca no álbum.