quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

1989 - No Control

Para aproveitar o verdadeiro rebuliço que “Suffer” (1988) causou na cena Punk Rock americana e mundial, o Bad Religion não perdeu tempo! Logo após o fim da sua primeira tour europeia, a banda entrou novamente no estúdio do guitarrista Mr. Brett, o Westbeach Recorders, em Los Angeles, para registrar suas novas músicas. Era junho de 1989 e o velho ditado, “em time que está ganhando, não se mexe!”, tão comum no futebol (e odiado no mundo corporativo), cai como uma luva para descrever esse momento que o Bad Religion vivia e o fruto proveniente dele: “No Control”, o 4º full length de sua carreira, uma verdadeira pedrada hardcore, com menos de meia hora de músicas curtas, rápidas, simples e melódicas até o osso! Propositalmente ou não, assim como em “Suffer”, a banda conseguiu a façanha de cravar novamente a marca de 15 faixas em 26 minutos com “No Control”. E não foi apenas nos números e nos métodos de gravação que o BR repetiu a mesma fórmula. 

Musicalmente, além de manter a formação, com os compositores Greg Graffin (v) e Mr. Brett, mais Jay Bentley (b), Greg Hetson (g) e Pete Finestone (d), o grupo mostrou uma incrível consistência, fazendo o disco novo soar não só como uma continuação natural de seu antecessor, mas como se fosse um verdadeiro “lado B”, ou um “disco 2” de um álbum duplo. Claro que isso pode soar como “repetição”, mas não foi o caso aqui... Tudo que se poderia esperar do “Bad Religion-pós-Suffer” está em “No Control”: as músicas curtíssimas, a simplicidade, os vocais melódicos, os vários coros de backing vocal com 3 vozes em harmonia, a energia infinita e aquele inconfundível, inexplicável-porém-perceptível “ar californiano”. 

Talvez a única diferença, que fez justamente o disco não soar como uma repetição, mas sim uma continuação de “Suffer”, foi a alta velocidade da maioria das músicas, o quê, futuramente, acabou fazendo o disco ser considerado o mais “hardcore” da carreira do Bad Religion. “No Control” foi lançado pela Epitaph Records, do guitarrista Brett, e veio ao mundo no dia 2 de novembro de 1989. Aqui no Brasil, a edição oficial saiu só em 1998, via Paradoxx Music. Inicialmente, o disco não vendeu tão bem como “Suffer”, mas sempre figurou entre os mais vendidos do catálogo da banda, sendo que em 1992, havia atingido a marca de 80 mil cópias vendidas, atrás dos discos “Generator” (1992), com 85 mil, “Suffer”, com 88 mil, e “Against The Grain” (1990), com 90 mil. 

A arte da capa, uma colagem de fotos dos membros da banda, com cores muito gritantes e oitentistas, e sem a fonte e logo do BR, foi feita pelo artista Norman Moore, que trabalhou em outras capas da banda em lançamentos futuros. De acordo com entrevistas, as músicas de “No Control” foram compostas durante a tour de “Suffer” e seus intervalos entre 88 e 89, com Brett assinando oito faixas e Graffin as outras sete. Brett chegou a afirmar que, devido ao ótimo momento que a banda vivia com “Suffer”, sua criatividade estava em alta: “Estava trabalhando como engenheiro de som em discos para minha gravadora e, em um intervalo para um café era capaz de escrever uma música inteira em menos de meia hora”, revelou. 

Os assuntos nas letras mantiveram o tom altamente crítico e os alvos de “Suffer”, mas as “intervenções acadêmicas” nas músicas compostas por Greg Graffin, que havia acabado seu mestrado e estava começando seu doutorado na “facul”, tomaram proporções bem maiores em “No Control”, com o vocalista chegando ao ponto de citar e a colocar a fonte (!!!), ao usar as palavras do naturalista escocês James Hutton, na letra da faixa-título, com o verso “no vestige of a beginning, no prospect of an end.” Sua bela voz, agora “adulta”, uma marca praticamente impossível de desassociar quando se pensa no Bad Religion, também acabou sendo o destaque individual do álbum em comparação à performance de seus colegas instrumentistas. 

O lado A do vinil, que é quase inteiro composto por Mr. Brett, possui justamente as duas melhores músicas de Greg Graffin: “Change of Ideas” e a faixa-título. Na primeira, o cantor conseguiu a façanha de condensar uma música com dois versos e um refrão matador em apenas 54 segundos – nada mais Punk Rock – registrando um hardcore rápido e incrivelmente bem “amarrado” melodicamente falando. Já “No Control”, a música, se tornou um clássico absoluto do Bad Religion, sendo inclusive coverizada este ano pelo Offspring numa versão lindona, em comemoração a uma tour conjunta entre as duas bandas. A letra, mais um “tapa-na-cara” do vocalista, fala sobre como não adianta você ser o “pica-do-rolê”, já que um dia tudo acaba sem você ter o controle e, justamente isso te faz igual a todos os homens. 

Ainda no lado A, temos a simples e certeira, mas não menos clássica e fantástica, “I Want to Conquer the World”, composta por Brett. Sua letra, apesar de divertida ao falar sobre o quê ele faria se fosse “o dono do mundo”, também pode ser encarada de maneira pessimista (algo bem comum no Punk Rock), como um grito de desespero ou agonia, como se a única solução para “consertar” o planeta fosse ele mesmo assumindo o poder. Em entrevistas, o músico simplesmente alegou que trata-se apenas de uma música “antiguerra”, mas os versos acabaram por entregar muito mais que isso. Outro “clássico” presente em “No Control”, mas no lado B, é a melodiosa “You”, conhecidíssima da galera que jogava “Tony Hawk Pro Skater 2” no Playstation, no começo dos anos 2000. Composta na famosa sequência de acordes “Lá menor-Fá-Dó-Sol”, “You”, que segundo Brett, era uma “música de amor ao contrário” composta para uma ex-namorada, tem até uma citação de “We Can Work It Out”, dos Beatles: “there's no time for fussing and fighting, my friend.” 

Além dos quatro clássicos, “No Control” ainda traz uma pá de canções legais, como a cadenciada “Sanity”, com sua letra bem poética (para os padrões de uma banda punk); a “desenfreada” “Sometime It Feels Like”, com suas cacofonias mostrando as primeiras experiências de Mr. Brett ao compor “músicas abstratas” – ele incrivelmente encaixa partes de “antimúsica” no meio da melodia do som, fazendo a música literalmente “falar”; as hardcores “Big Bang” e “Progress” com seus coros de backing vocals subindo os tons; e as interessantes “Henchman”, que começa no ritmo “Punk 77” e descamba pra um “HC insano” no final, e “Billy”, com sua fortíssima letra autobiográfica feita por Brett sobre seu vício em crack (ele viria a ficar 100% sóbrio somente em 1999, após muitas idas e vindas no seu "inferno")! Nunca li nada à respeito, mas essa música pode muito bem ser uma continuação da faixa "Billy Gnosis", lançada no fraquíssimo "Into The Unknown", de 1983. 

“No Control”, que certamente está em os favoritos de qualquer fã do Bad Religion que se preze, não só manteve o patamar atingido pela banda no disco anterior, como também provou que eles ainda eram capazes de soar bem hardcore (como em seu início de carreira), mesmo fazendo músicas calcadas em melodias e em escalas musicais. E, como ainda havia caminhos para explorar nessa fórmula de fazer Punk Rock criada por eles mesmos, mantiveram o mote “em time que está ganhando, não se mexe!”.


domingo, 3 de dezembro de 2017

1988 - Suffer

Sabe aquele som Punk bem cruzão, agressivo, cortante, com 3 ou 4 acordes no máximo, e com melodias bem primárias, ou até mesmo, sem nenhuma melodia? Até “Suffer” ser lançado em 8 de setembro de 1988 pela Epitaph Records, gravadora do próprio guitarrista da banda, Mr. Brett (sim, do-it-yourself!), o Punk Rock de verdade (o contestador, e não aquele com “letras-pra-pegar-mininha”) não era nada melódico, não tinha muitos acordes e estruturas musicais mais elaboradas e, muito menos, coros de backing vocals com harmonias em 3 vozes em tons diferentes. 

E essas são as principais características deste segundo full length do Bad Religion, acrescidas ainda de um inexplicável, porém perceptível, “ar californiano” que permeia todas as velozes 15 faixas do play, que juntas somam poucos, porém certeiros, 26 minutos, sendo a menor, “Pessimistic Lines”, com 1:07, e a maior, “What Can You Do” (o som do BR favorito de Tim Armstrong, do Rancid), com 2:44. A banda estava parada desde o fim de 1985 e só se reuniu novamente no meio de 1987 para compor “Suffer”. A formação contava com os compositores Greg Graffin (v) e Mr. Brett (g), seus asseclas do 1º disco Jay Bentley (b) e Pete Finestone (d), e o responsável pela “sobre-vida” da banda no meio da década de 80, Greg Hetson na outra guitarra. 

Eles levaram apenas 8 dias, em abril de 1988, para gravar e mixar o disco no estúdio Westbeach Recorders, também de propriedade do guitarrista Mr. Brett (mais do-it-yourself nessa história!), que foi o engenheiro de som na gravação (seu novo “emprego” pós largar o vício em crack), além de produzir a bolacha junto com o resto da banda. Entre os fatos curiosos da gravação, que foi vitoriosa em tirar um som bem limpo e audível, sabe-se que Jay Bentley gravou o baixo com um amplificador de guitarra Hiwatt SA212, método que acabou empregado em quase todos os discos do BR desde então. O impacto pelo novo jeito de fazer Punk Rock, ainda rápido, agressivo e com letras ainda mais contestadoras, porém cheio de melodias e harmonias vocais, foi tão grande que “Suffer” vendeu 3 mil cópias logo de cara no 1º ano, sendo que permaneceu como o campeão de vendas (no 1º ano) do selo Epitaph até 1994, quando foi desbancado pelo nada mais, nada menos clássico “Smash”, do The Offspring. 

No Brasil, “Suffer” só foi editado oficialmente em 1998, 10 anos após seu lançamento, em CD, pela gravadora Paradoxx Music. Blusão com o "garoto queimando" A icônica capa, desenhada pelo artista Jerry Mahoney, se tornou lendária ao trazer um típico adolescente no subúrbio americano, literalmente pegando fogo de raiva, ou “sofrendo”, fazendo alusão ao título do disco. O “garoto queimando”, mesmo não se tornando um “mascote” oficial do Bad Religion, acabou sendo muito utilizado em artes de camisetas e, principalmente, em tatuagens feitas por fãs. O guitarrista Mr. Brett disse, em entrevistas, que o conceito lírico de “Suffer” (tradução “sofrer”) vem do escritor Fyodor Dostoyevsky, em não encarar o sofrimento como uma coisa ruim, mas sim como um fator de onde o ser humano sai “purificado”. Já do lado da outra força criativa da banda, o vocalista e professor universitário Greg Graffin, as letras escritas por ele, além da contestação pura e direta, começaram a abordar assuntos acadêmicos e Ciência propriamente dita, temas que passaram a ser recorrentes no resto do catálogo da banda a partir de então, e que te obrigam a usar bastante um dicionário para entender algumas vezes (rs). 

Se historicamente “Suffer” foi um divisor de águas para a cena Punk nos EUA, musicalmente ele inventava, sem querer-querendo, um novo estilo, com músicas velozes, com pouco mais de 1 minuto de duração, compostas seguindo harmoniosamente as escalas das notas musicais (a sequência “dó-ré-mi” é bastante utilizada), cheias de melodias fáceis de cantar e assobiar, que agradavam não só os punks fãs de contestar o sistema, mas também um público mais jovem, incluindo uma boa parcela de skatistas e aficcionados em esportes radicais em geral. “You Are (The Government)” abre o play com os dois pés no peito, montada em uma estrutura que vai direto ao ponto, com verso-verso-refrão-fim abrupto em 1:21 de música, que te faz dar um repeat logo em seguida, pra ver se você entendeu direito que é realmente “só isso” que é necessário pra fazer musica cativante! 

O lado A do vinil também traz as empolgantes “Give You Nothing”, com sua levada “surf” e letra brutalmente humilde (“Então você tem um lugar que pode chamar todo seu, mas isso se tornou em um hábito de carregar uma cruz.”), e a cadenciada “Best For You”, com seu ritmo “punk 77” perfeito pra pogar e a participação das guitarristas do L7 (outra banda da gravadora Epitaph na época) Donita Sparks e Suzi Gardner no solo do final. A pessimista faixa-título, tocada nos shows até os dias de hoje, abre o lado B com suas cacofonias, preparando terreno para a mais hardcore de todas, “Delirium of Disorder”, o único som que lembra o estilo de Punk Rock mais sujão praticado pelo Bad Religion no início da carreira. “Part II (The Numbers Game)”, que contou com a participação de outra integrante do L7, Jennifer Finch, nos backing vocals, vem na sequência e tem uma das letras mais surpreendentes. 

Quando li pela 1ª vez achava que era uma letra facista e arrogante no meu entendimento de Inglês aos 16 anos de idade. Só alguns anos depois saquei a brilhante ironia por trás da letra, que é cantada como se fosse um hino ou um discurso de um líder político americano, que exalta a política imperialista de dominação e opressão de seu país de forma bem irônica, assim como o BR fez anos mais tarde em seu maior hit, “American Jesus”, que só saiu em 1993, no disco “Recipe For Hate”. "Suffer" ainda conta com o hino hardcore “Do What You Want” e sua letra “totalmente foda-se” (“Faça o que quiser, mas não faça perto de mim (...) Faça o que for preciso, faça o que puder, quebre todas as regras e vá pro inferno com o Superman, morrendo como um herói!”), talvez o maior sucesso do play e uma das favoritas de todos os tempos pelos fãs da banda. 

Depois que “Suffer” saiu, a gravadora Epitaph virou referência nesse estilo de Punk Rock com cheiro de California e um monte de melodia, lançando os primeiros álbuns de bandas que mais tarde se tornaram seminais, como The Offspring, Pennywise, Rancid, Down By Law, entre outras. Uma nova cena havia sido inagurada e o Bad Religion era o ponta-de-lança, referência máster, tanto musicalmente, como mercadologicamente, com o guitarrista Brett capitaneando a Epitaph, lançando, produzindo e, consequentemente, profissionalizando cada vez mais bandas do estilo. Com o sucesso de "Suffer" no underground, a carreira do Bad Religion, que estava estagnada apenas aos EUA até então, virou internacional, com a banda fazendo sua primeira tour na Europa em 1989. E a vibe pelo lançamento de algo tão influente foi tão forte, que eles logo entrariam em estúdio novamente para registrar, nos mesmos moldes, o sucessor, o não menos clássico “No Control”, que será comentado no próximo post.


sexta-feira, 17 de novembro de 2017

1984 - Back To The Known (EP)

Bom, pra dar continuidade na discografia do Bad Religion, a próxima bolacha que irei postar pra vocês é o EP lindão de 1984-85, intitulado de "Back To The Known". Então, o Bad Religion precisou apenas de 5 músicas, dividas em pouco mais de 10 minutos, pra provar pra si mesmo que o seu negócio era (e ainda é, e sempre será) o Punk Rock! Originalmente com músicas prensadas apenas no lado B do vinil de 12 polegadas (pra dar mais impacto no ouvinte), o EP “Back to the Known” trouxe um pouco de esperança e vida ao desgastado cenário punk americano de 1985, que na época estava bem divido com brigas e tumultos dividindo os shows.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

1983 - Into The Unknown

Pra aproveitar esse feriado morgadaço hahaha trago pra vocês esse disco que é a cara desse feriado triste rsrs!!! Com vocês Into The Unknown de 1983, que na minha opinião com certeza não é um disco massa do Bad Religion, mas vale ressaltar que ainda se salvam 2 sons (na minha opinião claro rsrs), são os seguintes sons: chasing the wild goose & billy gnosis.


domingo, 12 de novembro de 2017

1982 - How Could Hell Be Any Worse?

Financiado por um empréstimo de mil dólares feito pelo pai do guitarrista Brett Gurewitz, “How Could Hell be Any Worse?” foi lançado em 19 de janeiro de 1982, quase um ano depois da estreia da banda com o EP homônimo também pela gravadora Epitaph Records. E, nesse um ano de “corre”, o Bad Religion, mesmo sem ainda não conseguir atingir o status de “lenda”, pelo menos mostrou que já sabia os caminhos que queria traçar musicalmente. 

Punk até a alma, a banda manteve o esquema DIY (do-it-yourself) de produção e, como era de se esperar de uma 2ª experiência em estúdio, não houve grandes evoluções em termos de timbres em “HCHBAW”, lembrando bastante o som que a banda tirou no EP de estreia. Mesmo assim, Greg Graffin e Brett Gurewitz mostraram alguma evolução na composição e a algumas músicas contidas nesse play podem ser consideradas o “protótipo” do estilo “Punk Melódico”, que consagrou a banda no decorrer de sua carreira, como a rápida “Pity”, por exemplo. “How Could Hell Be Any Worse?” foi gravado no Track Record Studios, em North Hollywood, Califórnia (EUA), entre outubro e novembro de 1980 e janeiro de 1981. 

Na primeira sessão, a banda ainda contava com o baterista Jay Ziskrout, que gravou o 1º EP, mas no segundo período de gravação, ele já havia sido substituído por Pete Finestone, batera que permaneceu no Bad Religion até 1991. Ziskrout havia deixado 8 faixas gravadas, sendo que Pete acabou registrando apenas 6, das 14 que compõem o disco, que também contou com a participação do guitarrista Greg Hetson, fazendo um solo como convidado na música “Part III”. Na época, Hetson integrava o lendário Circle Jerks, mas, dizem as lendas, que após gravar sua participação no disco, ele nunca mais saiu do Bad Religion (até 2013)! 

Para surpresa da banda, o trabalho vendeu cerca de 10 mil cópias logo no primeiro ano e faixas como “We’re Only Gonna Die” e “Fuck Armageddon... This is Hell” se tornaram os primeiros “clássicos” da carreira dos californianos. “We’re Only Gonna Die”, inclusive, com sua letra sucinta de apenas 4 versos e um “tapão na cara”, foi coverizada mais tarde pelos nova-iorquinos do “Hardcore Pula-Pula” do Biohazard, no disco “Urban Discipline”, de 1992. Já a “Fuck Armageddon...” nunca mais saiu do set list dos shows do grupo, com seu riff cortante e sua paradinha mortal no meio! A composição continuava dividida entre o vocalista Greg Graffin e o guitarrista Mr. Brett, mas o baixista Jay Bentley também contribuiu com 2 músicas bem marcantes: “Part III”, com seu riff de baixo e seus vários solos de guitarra espalhados pela música (um contra-ponto na cultura Punk), e o “discurso-musicalizado” “Voice of God is Government”. Finalizando....Rápido, cru, e direto sem frescuras.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

1981 - Bad Religion EP

O que esperar de moleques de 16 e 18 anos tocando Punk Rock numa garagem fedida de suor? Música cheia de energia, cheia de furor, cheia de rebeldia sem causa e... Ops! Sem causa, não! Se tem um campo em que o Bad Religion pode se orgulhar de se destacar é por fazer letras contundentes e absolutamente conscientes do mundo à sua volta! Na idade em que estavam e do meio em que vieram, eles podiam tranquilamente fazer as 6 músicas de seu EP de estreia sobre como xavecar a líder de torcida bonitinha, ou sobre como o sol da Califórnia brilha bonito no corpo da universitária, mas eles, punks que eram, escolheram falar de temas como “religião”, “política”, “governantes inúteis”, “stress”, “suicídio por descrença na sociedade” e “guerras”, e de uma maneira que deixaria seus pais chocados com tamanha noção da realidade cruel em que vivem e pela maneira que a descrevem nas letras. O lado A, abre com a homônima “BadReligion”, que ataca as religiões, as comparando com uma fábrica, onde tudo funciona precisamente para manter os funcionários/fieis alienados e na linha. O riff de abertura de Brett Gurewitz é marcante, mas a música se perde numa confusão cromática que desenvolve até chegar no refrão e fica estranha. Nessa época, a banda ainda não havia desenvolvido sua capacidade de passear nas melodias pops e, além disso, o vocalista Greg Graffin ainda estava com sua “voz de adolescente de 16 anos em desenvolvimento” e berrava de maneira bem esganiçada...




O play segue com o hardcore “Politics”, com a banda atacando os governos e chamando o presidente de “idiota” (jerk). Depois o “alvo” da fúria dos jovens da “má religião” é o stress, com a crítica e alegrinha “Sensory Overload”, onde reclamam por estarem com seus sentidos sobrecarregados de tanta estupidez da sociedade. O lado B abre com a mira apontada novamente para os políticos, com a pogante “Slaves”, marcada pelo baixo de Jay Bentley e pela batida mais “ramônica” do então batera, Jay Ziskrout. Depois o clima fica bem pesado com a tensa e lenta “Drastic Actions”, onde Graffin relata uma cruel realidade com um crescente número de suicídios por descrença na sociedade. Pra fechar, eles pisam novamente no acelerador, com a hardcore de 54 segundos “World War III”, onde já previam, em 1981, que o imperialistmo americano os levaria a mais guerras sem sentido. Assim como ficou costumeiro no decorrer da discografia do Bad Religion, a composição das faixas é divida entre Graffin e Mr. Brett. Apesar de que neste EP as músicas pareçam muito entre si, o estilo de composição de Graffin é mais “nerd” e “preciso”, o que contrasta legal com a “arte musical abstrata” que Brett costuma arriscar, enriquecendo bastante o catálogo da banda. Como era o primeiro EP, e por ter sido gravado no Studio 9, um pequeno estúdio de demos alocado no andar de cima de uma farmácia, o “Bad Religion - EP” é aconselhado apenas àqueles já acostumados com aquele Punk Rock sujão, que beira o hardcore, sem muito peso, firula ou produção, onde o que vale mesmo é a mensagem que está sendo passada. Esse ainda não é o Bad Religion fazendo o som pelo qual ele ficou conhecido e se tornou referência. Era apenas a estreia de mais uma banda de Punk Rock tocando bem rápido, no fervilhante cenário hardcore americano do início dos Anos 80. De qualquer modo, a sementinha plantada nesse cenário germinou muito bem no futuro, como iremos ver...

FONTE: http://discoadisco.blogspot.com.br/2014/09/bad-religion-discografia.html

BAD RELIGION

Formado em 1979, em Los Angeles, Califórnia, pelo vocalista Greg Graffin e pelo guitarrista Brett Gurewitz, o Bad Religion foi uma das bandas mais influentes (senão a mais influente) do que pode ser chamado de “2º revival do Punk Rock”, quando o Green Day e o The Offspring estouraram nas paradas americanas em 1994, bem naquele momento em que a indústria musical e os fãs de músicas rápida e energética clamavam por algo para lavar a alma após a trágica morte de Kurt Cobain, que, por consequência, matou (comercialmente) o que era chamado de “Grunge”... Poucos sabem, mas a banda que fomentou a maior parte dessa cena de onde vieram as bandas de Billie Joe e Dexter Holland foi o Bad Religion.

FONTE