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terça-feira, 1 de maio de 2018

1992 - Your Arsenal

É aqui que efetivamente começa a carreira solo de Morrissey, e três pessoas merecem crédito: os guitarristas Alain Whyte e Boz Boorer, egressos da cena rockabilly britânica, e o produtor Mick Ronson, guitarrista que acompanhou David Bowie entre 1970 e 1973 (e gravou os álbuns “The Man Who Sold the World”, 1970; “Hunky Dory”, 1971; “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and Spiders from Mars”, 1972; “Aladdin Sane” e “Pin Ups”, 1973). 

Alain Whyte assina oito das dez canções do disco (as outras duas ainda são frutos/sobras da parceria do cantor com Mark E. Nevin) e Mick Ronson coloca as guitarras no talo já na abertura porrada com a cínica “You’re Gonna Need Someone on Your Side” (“Alguém me contou que você desperdiçou oito das suas nove vidas / Você vai precisar de alguém ao seu lado / E aqui estou eu / Bom, você não precisa parecer tão agradecido”) e as guitarras permanecem apitando em “Glamorous Glue”, que crava “Londres está morta”. 

“We’ll Let You Know” começa baladinha e cresce até as guitarras voltarem a apitar e causou alvoroço por soar uma defesa dos hooligans britânicos assim como “The National Front Disco” também fez barulho por contar a história de David, um jovem que se afastou dos amigos e da família para se juntar à Frente Nacional, uma organização de extrema-direita que só aceita brancos e prega “Uma Inglaterra para ingleses” (o refrão da música). A coisa toda suaviza na batidinha sixtie de “Certain People I Know” (“Eu confio nas opiniões de certas pessoas que eu conheço / Elas olham para o perigo e caem na gargalhada”) e no primeiro single do álbum, a auto-explicativa “We Hate It When Our Friends Become Successful”. 

A divertida “You’re the One for Me, Fatty” (uma piada com Chas Smash, vocalista do Madness) também foi single e “I Know It’s Gonna Happen Someday” foi regravada por David Bowie no álbum “Black Tie White Noise”. Um baita disco de rock and roll.


1991 - Kill Uncle

Segundo álbum solo de Morrissey, “Kill Uncle” explicita a paixão do cantor pelo rockabilly e pelo rock and roll dos anos 50, mas é um disco de transição em sua carreira. Ele havia rompido a parceria com Stephen Street (que o acompanhara desde “Strangeways, Here We Come”, o último disco dos Smiths) e Vini Reilly, e ainda não tinha encontrado seus futuros parceiros. 

O baterista Andrew Parisi, que gravou “Viva Hate”, segue o acompanhando, e Morrissey assina quase todas as canções em parceria com o guitarrista Mark E. Nevin (da banda escocesa Fairground Attraction), mas a produção dividida entre Clive Langer e Alan Winstanley não consegue dar consistência ao álbum (com uso excessivo de teclados), o que de certa forma explica a frieza com que o disco foi recebido. A imprensa inglesa chegou a cogitar o fim da carreira do cantor. 

Ainda assim, “Kill Uncle” guarda um belo single, “Sing Your Life”, conduzido por bateria, baixo, teclados e Morrissey intimando: “Cante sua vida: qualquer idiota consegue pensar em palavras que rimam”. Há ainda bons momentos em “Our Frank”, “Found Found Found” e nas três climáticas faixas de encerramento: “The Harsh Truth of the Camera Eye” (“Eu não quero ser julgado, eu quero ser amado”), “(I’m) The End of the Family Line” (“Nossa árvore genealógica atingiu o declínio”) e “There’s A Place In Hell For Me And My Friends” (“Há um lugar no inferno reservado para mim e meus amigos / E se alguma vez eu quiser apenas chorar / eu vou chorar / porque eu posso”), mas Morrissey podia mais. Só precisava encontrar as pessoas certas…


sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

1988 - Viva Hate

Seis meses após o fim dos Smiths, Morrissey estreava solo com um álbum que rivalizava em qualidade com seus melhores momentos ao lado da ex-banda. Produzido por Stephen Street (que assina todas as canções em parceria com o cantor além de tocar guitarra e baixo), arranjado por Vini Reilly, do Durutti Column (que toca guitarra e teclados) e contando ainda com um sexteto de cordas, “Viva Hate” alcançou o número 1 da parada britânica e o 48 da Billboard (melhor posição do que qualquer disco dos Smiths – futuramente ele alcançara o número 11) embalado por dois hits pungentes: “Suedehead” e “Everyday Is Like Sunday”. 

Da abertura noisy e forte de “Alsatian Cousin” passando pela derrocada de um ator infantil em “Little Man, What Now?” a canções que fariam parte do sexto disco dos Smiths como a crítica “Bengali in Platforms” (“Ele quer adotar sua cultura, e ser seu amigo para sempre”), “Viva Hate” deixa a raiva escorrer pelo canto da boca enquanto se apoia em cordas (“Angel, Angel, Down We Go Together”), namora os Smiths (“The Ordinary Boys”, “Dial-A-Cliché”) e o barulho (“I Don’t Mind If You Forget Me”). 

“Margaret on the Guillotine”, em que Morrissey sonhava o dia em que a Primeira Ministra iria morrer, causou polêmica. “Viva Hate” foi relançando em 1997 com nova capa e oito faixas bônus, entre elas as excelentes “Let the Right One Slip In” (“Deixe os velhos sonhos morrerem / Deixe as pessoas erradas irem embora”, canta Morrissey sobre uma base potente de guitarras) e “Pashernate Love” (as duas produzidas por Mick Ronson), uma boa parceria com Andy Rourke, ex-baixista dos Smiths (“Girl Least Likely To”) e a primeira canção de Morrissey com Boz Boorer, “I’d Love To” (produzida por Steve Lillywhite), que seguirá como seu braço direito até os dias atuais.


Morrissey

Biografia:
Carreira 


Steven Patrick Morrissey mais conhecido por Morrissey, (Davyhulme, 22 de maio de 1959), é um cantor e compositor inglês, é o ex-vocalista e letrista da banda de rock inglesa The Smiths, tendo co-composto todas as músicas com o guitarrista, Johnny Marr. Ficou conhecido por ser o vocalista da banda inglesa The Smiths. Quando a banda terminou em 1987, Morrissey desenvolveu uma carreira solo bem sucedida e é um dos poucos artistas a ter músicas no Top 10 de Vendas de Discos do Reino Unido em três décadas diferentes. 


Seu primeiro disco solo, Viva Hate foi lançado em março de 1988, seis meses após a separação dos Smiths. Seu parceiro musical neste disco foi o produtor de sua ex-banda, Stephen Street, e teve a participação do guitarrista Vini Reilly, do Durutti Column. As músicas "Suedehead" e "Everyday is like Sunday" (seus dois primeiros singles na carreira solo) fizeram bastante sucesso. Depois de alguns singles como "The Last of the Famous International Playboy", "Interesting Drug", "November Spawned a monster", Morrissey lançou sua primeira coletânea de singles e b sides, Bona Drag, em 1990. 



Em 1991, com um novo parceiro, Mark E. Nevin, do Fairground Attraction, Morrissey lança Kill Uncle. Morrissey então inicia uma parceria duradoura com os guitarristas Alain Whyte e Boz Boorer, e lançaria seus melhores trabalhos: Your Arsenal (1992), produzido pelo ex-guitarrista de David Bowie, Mick Ronson, e Vauxhall and I em 1994. Ele gravou em 1994 um single não-álbum "Interlude" com uma de suas cantoras favoritas Siouxsie Sioux de Siouxsie And The Banshees. "Interlude" foi publicado sob o banner Morrissey & Siouxsie. Em 1995 lança Southpaw Grammar e em 1997 Maladjusted. 

Morrissey fica um período sem gravadora, mas continua excursionando. Em 2000 fez quatro shows no Brasil. Em 2004 assina com a gravadora Sanctuary Records e lança You Are the Quarry, produzido por Jerry Finn, com grande sucesso de crítica e público. Em 2006 lança Ringleader of the Tormentors, produzido por Tony Visconti, e inicia novas parcerias com o guitarrista Jesse Tobias. 

Em 16 de Dezembro de 2006, no concurso televisivo inglês Britain's Greatest Living Icon, "O Maior Ícone Britânico Vivo" (numa escolha realizada por meio de votos do público em geral). Morrissey classificou-se em segundo lugar apenas atrás de Sir David Attenborough, ficando à frente de nomes importantes, como Paul McCartney, entre outros. 

Em 2009, Morrissey lança mais um disco de músicas originais a que chamou de Years of Refusal. Os concertos de Morrissey ficaram célebres devido ao número incrível de pessoas que constantemente invadiam o palco para poderem tocar no seu herói. Várias vezes os seus shows tiveram que ser interrompidos por causa da quantidade de invasores presentes no palco que tentavam agarrar o cantor. 

Em 17 de outubro de 2013, a autobiografia de Morrissey, intitulado “Autobiografia”, foi publicada. O lançamento do livro causou polêmica, porque foi publicado pela editora Penguin Classics, que até então só publicava clássicos da literatura de autores consagrados. O livro entrou na lista dos mais vendidos do Reino Unido em número um, com cerca de 35.000 cópias apenas na primeira semana. 

Em 10 de novembro de 2017, Los Angeles declarou a data como Morrissey Day, reconhecendo a importância do cantor que há muitos anos vive na cidade. Morrissey também inaugurou uma loja pop-up em 8250 Melrose Ave em Los Angeles para celebrar o novo álbum Low in High School entre os dias 17 e 19 de novembro deste mesmo ano. A loja contou com diversos itens como roupas, discos, canecas e com as versões coloridas do novo álbum. 

Vida pessoal: 

É adepto do veganismo. Durante o começo da carreira nos Smiths, ele dizia em entrevistas que era celibatário. Johnny Marr declarou em uma entrevista 1984 que "Morrissey não participa de sexo no momento e não o fez por um tempo, ele teve um monte de namoradas no passado e muito poucos amigos homens." Em Setembro de 2010, o cantor fez uma declaração polémica no jornal britânico The Guardian, chamando os chineses de sub-espécie devido à maneira como tratam os animais, privando-os de qualquer direito ou dignidade. 


Critica a Família Real Britânica frequentemente, além de já ter disparado contra PJ Harvey, Bryan Ferry e o Tony Blair. Morrissey anunciou no dia 05 de junho de 2012, que planejaria se aposentar em 2014, quando completaria 55 anos. Segundo o site da revista The Hollywood Reporter, Moz -- como é chamado por seus fãs -- afirma ter envelhecido muito rapidamente nos últimos anos. Em sua autobiografia, Morrissey afirmou ter tido relacionamento com um fotógrafo, revelando sua bissexualidade.